| A igreja da Vitória é um sítio histórico que remonta ao século XVI. Entretanto, por ter sofrido pelo menos dois incêndios e muitas reformas, seu projeto arquitetônico foi inteiramente modificado, não apresentando nada do original.
Segundo os historiadores e segundo os conceitos mais modernos de patrimônio cultural, pode-se afirmar que esta igreja representa um patrimônio cultural de singular valor, pois traz toda uma lenda que envolve a fé cristã dos colonos portugueses à época das invasões francesa e holandesa no Brasil e uma tradição de fé que perdura até nossos dias.
Segundo Borges de Barros (1981), essa igreja está entre os templos mais antigos da Vila de São Jorge, que àquela época se chamava Nossa Senhora da Neves e depois teve o nome trocado para Nossa Senhora da Vitória ou das Vitórias.
Os colonos portugueses que habitavam a vila de São Jorge entraram em luta com os aimorés e, vencer a luta, parecia algo impossível. A vitória obtida foi atribuída à ajuda de uma mulher muito branca, que foi vista por muitas pessoas, inclusive por alguns indígenas, lutando ao lado dos colonos. No final do século XVI, houve novamente a intervenção da santa, quando os colonos conseguiram expulsar os franceses que invadiram a vila. Borges de Barros afirma que os habitantes da cidade tinham menor número que os franceses, mas eram chefiados pelo mais valente, que havia se mostrado muito disposto nos assaltos passados, um mameluco chamado Antonio Fernandes, que tinha por alcunha, o Catucadas, pela forma como abatia o inimigo. Que com um pequeno exército, de vinte homens, abateu cinqüenta e sete franceses.
O dia 15 de agosto é comemorado pela tradição católica como o dia da Assunção de Nossa Senhora, a mãe de Jesus. Nesse dia, é comemorado na cidade de Ilhéus, o dia de Nossa Senhora da Vitória, uma das padroeiras da cidade.
No ano de 1887, um incêndio destruiu a igreja com suas imagens, inclusive aquela trazida de Lisboa no século XVII. A imagem que existe atualmente na igreja foi entalhada em Salvador e data do século XIX. A igreja passou um tempo abandonada e foi ficando em ruína, quando o coronel Domingos Fernandes da Silva custeou sua recuperação e a obra foi concluída em 1905, tendo sido seu estilo modificado. Em 1913 foi realizada uma nova intervenção, patrocinada pelo mesmo coronel Fernandes. |